terça-feira, 26 de maio de 2009


Imagine uma criança observando uma roda gigante. Os olhos dela fitam uma cadeirinha em especial e a seguem subindo e descendo. As luzes e cores prendem sua atenção. Mesmo sendo muitas vezes maior do que ela, o brinquedo a encanta e faz nascer uma vontade hipnotizante de experimentá-lo. O medo não é um obstáculo, mas algo que torna a experiência de andar no brinquedo ainda mais excitante. Após algumas voltas intermináveis, a roda finalmente para. A criança se levanta e corre até a entrada. Antes de entregar o bilhete, ela espera ansiosamente pela parada daquela cadeira em especial. Senta-se como quem recebe o devido lugar em um trono. Aproveita cada giro, cada minuto de frio na barriga. Observa, encantada, a rua bem lá do alto e sente um prazer enorme com isso. Ao fim do tempo determinado pelo parque (que sempre será infinitamente curto para aquela criança), ela desce da cadeira e olha para o brinquedo grande, imponente. Sai dali com a alegria de quem experimentou um momento intenso na sua grandeza, inesquecível na sua simplicidade. Coisas de que um adulto não mais entende.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Refletir

Estava fria e pálida. Seus olhos se entrelaçavam ao brilho do sol sobre o mar. Sentada, observava e só. Permanecia imóvel. Era nas águas que se encontravam e, como quem anseia pela alegria do encontro, observava. Por vários minutos, ficou ali, numa estática posição de espera.
Diferentemente dela, o sol não havia parado por um segundo sequer. Se punha, num movimento constante, típico das coisas que existem pela simples razão de continuar.
E ela também continuava. Era importante se dar aqueles muitos minutos de espera.
Um tom fechado começou a envolver o dia e a levá-lo embora. O brilho não tão intenso, comum daquilo que se apropria de outras luzes, começou a ganhar espaço no céu.
Ela, então, se virou lenta e suavemente para frente. Seu corpo se ligou a ele mesmo e seus olhos fitaram-se. Houve uma nova pausa, mas dessa vez, curta. Se levantou e saiu. Não estava suficientemente saciada e não deveria estar. Assim, haveria sempre a ânsia de encontrar-se novamente.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Voo livre


Liberdade é alma querendo sair da casca, é a melodia do salto e a força do impacto. Nada mais é do que pular para dentro de si mesmo e desprender-se.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Política da vida moderna


O que cansa é a ânsia por não se cansar. Troque-a por uma caixa de energéticos.

domingo, 17 de maio de 2009

Escrever é eucaristia. É repartir-se. É doar-se. Além de inspiração (e transpiração, certo?), escrever requer coragem. Não é simples mostrar sua alma ao outro, e não há nada de fácil em deixar-se conhecer. Por outro lado, também não há nada de mais prazeroso do que perceber que se está sendo decifrado.
Escrever é também permanecer na vida. É maneira de vencer o tempo. Primeiro porque o que se põe no papel (ou no caso, na internet) tem o poder de perdurar e ser lido por pessoas de diferentes lugares, em diferentes momentos. Depois, porque se expõe aquilo que há no coração de determinada pessoa em determinado momento, e não há de se viver sempre da mesma maneira. Essencial é transformar-se, renovar-se, dividir-se. Se for por meio das palavras, que sua alma possa, então, ser lida.