domingo, 4 de abril de 2010

reflexão = ato de se olhar no espelho e, pelo menos uma vez, ver o que realmente há nele.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Interpretação

Em dia de circo, a cidade toda para. Não há movimento nem mesmo nos botecos das esquinas. Cachaça ainda não conseguiu ser melhor do que um bom saco de pipocas, um cone de amendoim e uma maçã do amor pra arrematar. As crianças, alvoroçadas, só perdem para a pressa dos vendedores em alcançarem os degraus mais altos da arquibancada antes do início do espetáculo.

Ao entrar no picadeiro, ele sente seu rosto se contrair em um sorriso forçado de ladrão de jaboticabas com os bolsos cheios. Faz seu trabalho, como sempre há de ser. Encontra o olhar marejado de encanto de um garoto na primeira fileira. Viaja até aquele dia em que viu a tenda sendo montada e pensou que não haveria maneira mais feliz de viver.

E fim de show, segue para o camarim improvisado, cheirando a flores velhas e roupas suadas. Esfrega o rosto até tirar por completo a lágrima pintada. Segue até a beira da rua. Já não há mais movimentação e nem lua cheia. Percebe, então, o olhar notado ainda seguindo seus movimentos. Nas mãos do menino um bilhete e o suor de quem está prestes a fazer algo que deseja.

Ele dá as costas ao menino e segue até o primeiro boteco. Pede uma dose pra esquentar o peito. Desenha uma lágrima no peito que não acredita que saia com água e sabão. Procura o menino com o canto dos olhos e o vê correndo pela rua, sumindo da visão, escorrendo entre os dedos, afogado naquela dose.

E o bilhete... Nunca chegou a descobrir o que dizia.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Bungee Jump

De repente me deu uma vontade de me jogar de cabeça.

Sou duas metades inversas:
sinto, penso;
corro, pondero;
ajo, reflito;
às vezes, me sinto em processo de decadência,
ou, com sorte, me jogo ao alto.
Quer saber?
Não vou me preocupar mais com as regras do jogo.

Decidi apenas seguir o desenrolar da vida.

Nave 010

Essas coisas do futuro me apavoram.
Venenosa característica do desconhecido;
encanta,
desafia,
amedronta.
Uma borbulhante enxurrada de sentimentos mistos.


Mas o que não mexe com minhas estruturas definitivamente não me interessa.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Poeminha Sentimental

Era o céu
e despertei de mim;
me abri
sabia que as estrelas ouviriam:
se brilham, entenderiam também
o que havia em meu olhar.

Era o mar
e no reflexo havia
eu;
e bem no fundo...
o fundo
de mim.

Nada era,
todo esse azul
nada disso era;
na verdade
eram só seus olhos.