Andei fugindo de mim...
Tentei me perder, esquecer de me buscar na escola;
Não me levei ao parque nem li histórias pra eu dormir;
Me fantasiei pra não me reconhecer.
Não desisti de mim, só queria uma folga de me ver, todo dia,
com essa mesma cara
e as mesmas angústias.
Mas não me julgue, não somos tão diferentes assim.
A verdade é que faço isso
na ânsia de me encontrar.
Uma forma simples e despretensiosa de expor o que há no coração. Não é escrita querendo reconhecimento. É simplesmente escrita de cor.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Esperânsia
Tanto tempo pensando no amanhã.
Envelheci sem ver as horas passarem;
Trabalhei sem buscar felicidade no que fazia;
Li sem absorver;
Amei sem me entregar;
Sobrevivi.
Hoje, esses cabelos brancos me indicam que deveria ter vivido mais.
Que pensar no momento em que se está é a chave para não desperdiçar
a vida.
Tanto tempo pensando no amanhã...
Agora já não tenho mais certeza se ele realmente virá.
Mas aprendi, mesmo que tarde.
Tarde? Isso não existe.
Viverei meu momento presente
esperando que o próximo minuto seja bom
e nada mais.
Envelheci sem ver as horas passarem;
Trabalhei sem buscar felicidade no que fazia;
Li sem absorver;
Amei sem me entregar;
Sobrevivi.
Hoje, esses cabelos brancos me indicam que deveria ter vivido mais.
Que pensar no momento em que se está é a chave para não desperdiçar
a vida.
Tanto tempo pensando no amanhã...
Agora já não tenho mais certeza se ele realmente virá.
Mas aprendi, mesmo que tarde.
Tarde? Isso não existe.
Viverei meu momento presente
esperando que o próximo minuto seja bom
e nada mais.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Ensaio secreto sobre Deus
Sentir a brisa no rosto, estando em frente ao mar, assistindo a um pôr-do-sol. Ver o sorriso descompromissado de um bebê. Olhar a lua em uma noite boa. A mim, não interessa a nomenclatura; não há dúvidas sobre essas sensações. Uns dizem que não há como descrever, outros passam a vida a teorizar. TEOrizar; irônico, não?
Julgo que há, mesmo, uma necessidade humana de reconhecer-se como fruto de uma força maior; de ter algo ou alguém em quem possa colocar a responsabilidade por acontecimentos que lhe fogem ao controle. Mas há, na humanidade, um desespero por sentir-se com razão. Sempre. E quem diz que 'acredita em si mesmo' quando lhe perguntam sobre Deus não se dá conta de que nós e ele somos indivisíveis, apesar de opostos. Divididos, apesar de 'imagem e semelhança'. Dicotômicos.
A experiência de ser criatura pressupõe entrega; e a experiência de entregar-se pressupõe coragem. A grande maioria das pessoas que conhecemos não passa de uma imagem superficial de que fazemos dela. Aquelas que, finalmente, se deixam revelar, passam a fazer parte de nós e nós delas. Começam a fazer diferença. Se tornam um pouquinho de Deus em nossa vida e transformam nossa caminhada em um passeio na beira da praia com boa companhia.
Reconhecendo todos esses fatos, ainda há a perturbação pela verdade. Afirmar exatamente o que acontece além do que se pode enxergar passa a ser, então, compromisso de todo aquele que crê. Bom, não há aqui a pretenção por levantar uma verdade própria, mas ouso dizer que estão todos errados. Inclusive eu. Se pudéssemos compreender além do que nos é exposto, seríamos suficientemente inteligentes para questionar essa possibilidade. Somos ignorantes o suficiente para não darmos conta de nossos próprios atos e pensamentos e culparmos nossa 'humanidade' por isso. Porque sermos humanos nos dá espaço para errarmos. Mas quando esse erro passa do limite criado pela sociedade, dizemos que foi desumano. Não nos entendemos... E queremos entender Deus?
É preciso abrir mão dessa necessidade humana de estar certo e perceber que certas coisas não estão aí para serem compreendidas, mas sentidas, experienciadas. E, apesar de toda essa nossa (des)humanidade, devemos buscar santidade em nossas ações; divindade em nossa humilde ignorância do dia-a-dia. E , mesmo assim, confiar nos planos dEle pra nossas vidas porque, convenhamos, nossas vontades são individuais e individualistas. Se pudéssemos realmente controlar tudo, alguém, com certeza, sairia perdendo.
Julgo que há, mesmo, uma necessidade humana de reconhecer-se como fruto de uma força maior; de ter algo ou alguém em quem possa colocar a responsabilidade por acontecimentos que lhe fogem ao controle. Mas há, na humanidade, um desespero por sentir-se com razão. Sempre. E quem diz que 'acredita em si mesmo' quando lhe perguntam sobre Deus não se dá conta de que nós e ele somos indivisíveis, apesar de opostos. Divididos, apesar de 'imagem e semelhança'. Dicotômicos.
A experiência de ser criatura pressupõe entrega; e a experiência de entregar-se pressupõe coragem. A grande maioria das pessoas que conhecemos não passa de uma imagem superficial de que fazemos dela. Aquelas que, finalmente, se deixam revelar, passam a fazer parte de nós e nós delas. Começam a fazer diferença. Se tornam um pouquinho de Deus em nossa vida e transformam nossa caminhada em um passeio na beira da praia com boa companhia.
Reconhecendo todos esses fatos, ainda há a perturbação pela verdade. Afirmar exatamente o que acontece além do que se pode enxergar passa a ser, então, compromisso de todo aquele que crê. Bom, não há aqui a pretenção por levantar uma verdade própria, mas ouso dizer que estão todos errados. Inclusive eu. Se pudéssemos compreender além do que nos é exposto, seríamos suficientemente inteligentes para questionar essa possibilidade. Somos ignorantes o suficiente para não darmos conta de nossos próprios atos e pensamentos e culparmos nossa 'humanidade' por isso. Porque sermos humanos nos dá espaço para errarmos. Mas quando esse erro passa do limite criado pela sociedade, dizemos que foi desumano. Não nos entendemos... E queremos entender Deus?
É preciso abrir mão dessa necessidade humana de estar certo e perceber que certas coisas não estão aí para serem compreendidas, mas sentidas, experienciadas. E, apesar de toda essa nossa (des)humanidade, devemos buscar santidade em nossas ações; divindade em nossa humilde ignorância do dia-a-dia. E , mesmo assim, confiar nos planos dEle pra nossas vidas porque, convenhamos, nossas vontades são individuais e individualistas. Se pudéssemos realmente controlar tudo, alguém, com certeza, sairia perdendo.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Enquanto esperamos na janela, os carros passam. É comum do ser humano esperar um movimento qualquer. Mesmo quando estamos dentro dos carros, temos a impressão de que é a rua que corre, e não nós.
E assim é mais fácil mesmo. Até que o mundo para de girar e você tem que sair correndo por sua conta. Ou já viu peão rodar sozinho, sem ninguém jogar? E quando chega esse momento, não adianta culpar o cosmos e se perguntar porque Marte e Mercúrio resolveram criar uma linha paralela justo neste mês.
O segredo é viver o que tem pra hoje. Se é alegria, aproveite! Se é tristeza, fazer o quê. Não adianta correr com a vida. Se tem que hibernar hoje, ok. Mas nada de ficar o inverno inteiro.
Se você reparar, os dias de inverno, às vezes, também amanhecem com sol.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Ao dia dos namorados
A saudade é uma presença ausente.
Talvez fosse simplesmente mais fácil não te ter.
Assim não sentiria seu cheiro por aí e não me faltaria sua pele;
não haveria borboletas e seu olhar seria mais um;
talvez eu pudesse dormir.
Mas as ruas têm seu perfume e me falta seu abraço;
meu estômago pulsa e anseio por seus olhos;
faz tempo que você mora nos meus sonhos...
Priorizo sua vida junto à minha
e meu nome em seu coração;
ser seu primeiro pensamento,
seu café da manhã,
seu 'boa noite',
sua ceia,
sua madrugada.
Caminhar sozinho é corrida.
Eu quero é passeio!
Talvez fosse simplesmente mais fácil não te ter.
Assim não sentiria seu cheiro por aí e não me faltaria sua pele;
não haveria borboletas e seu olhar seria mais um;
talvez eu pudesse dormir.
Mas as ruas têm seu perfume e me falta seu abraço;
meu estômago pulsa e anseio por seus olhos;
faz tempo que você mora nos meus sonhos...
Priorizo sua vida junto à minha
e meu nome em seu coração;
ser seu primeiro pensamento,
seu café da manhã,
seu 'boa noite',
sua ceia,
sua madrugada.
Caminhar sozinho é corrida.
Eu quero é passeio!
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Os olhos de Deus
Sentada num banco ao lado de um pequeno parque na praça estava uma senhorinha de cabelos brancos, olhos fitando o longe, numa quase concentração silenciosa. Quase, pois as brincadeiras das crianças impediam qualquer silêncio de perdurar.
Ao vê-la, uma linda jovem de cabelos negros se aproximou, sem nenhum assunto ou coisa assim. Chegou mais perto como um ato automático. Deu a ela um sorriso. Não houve resposta. Virando e voltando em direção ao lugar em que estava, ela ouviu a senhora balbuciar algo que parecia um chamado. Voltou a se aproximar.
_ Preciso de novos olhos. - disse.
A menina não compreendeu e ficou surpresa. Será que ela não podia ver? Por isso talvez não havia respondido seu sorriso...
_ Preciso de novos olhos!
Um sentimento novo palpitou na menina e subiu-lhe à garganta. Ela não poderia descrevê-lo, não sabia lidar com ele. Sentiu que deveria fazer algo por aquela mulher, mas não tinha ideia de como ajudá-la.
_ Você conhece o mar que se vê depois daquela pedra ali adiante? - perguntou à jovem.
Ela assentiu. A mulher então levantou-se com uma certa dificuldade e começou a caminhar em direção à pedra. A menina se surpreendeu... Como aquela senhora sabia o caminho se não podia enxergar? Antes que viesse à cabeça alguma possível resposta, ela rapidamente começou a seguir aquela mulher.
Ao chegarem ao topo da pequena pedra, as duas pararam. A senhora então disse:
_ Diga-me, o que você vê?
A menina então olhou o mar à sua frente. Tomada por aquela experiência, começou a descrever o que via. Disse sobre a cor da água e o quanto parecia uma punhado de gotas escorridas do céu. E que o movimento constante das ondas dava a ela energia pra se mexer também e fazer algo de bom, como se não fosse possível ficar parado diante daquela imagem tão mágica... Falou sobre cada detalhe e o quanto estar ali, com o vento no rosto e o mar à frente, a fazia sentir mais viva.
Após ouvir e absorver tudo, a senhora disse,com os olhos marejados:
_ Sempre que vinha aqui, água era só o que eu podia ver... Sabia dentro de mim que deveria haver mais. Algo que pudesse me trazer ares de juventude, de felicidade. Eu precisava de novos olhos; obrigada por me emprestar os seus.
Ao vê-la, uma linda jovem de cabelos negros se aproximou, sem nenhum assunto ou coisa assim. Chegou mais perto como um ato automático. Deu a ela um sorriso. Não houve resposta. Virando e voltando em direção ao lugar em que estava, ela ouviu a senhora balbuciar algo que parecia um chamado. Voltou a se aproximar.
_ Preciso de novos olhos. - disse.
A menina não compreendeu e ficou surpresa. Será que ela não podia ver? Por isso talvez não havia respondido seu sorriso...
_ Preciso de novos olhos!
Um sentimento novo palpitou na menina e subiu-lhe à garganta. Ela não poderia descrevê-lo, não sabia lidar com ele. Sentiu que deveria fazer algo por aquela mulher, mas não tinha ideia de como ajudá-la.
_ Você conhece o mar que se vê depois daquela pedra ali adiante? - perguntou à jovem.
Ela assentiu. A mulher então levantou-se com uma certa dificuldade e começou a caminhar em direção à pedra. A menina se surpreendeu... Como aquela senhora sabia o caminho se não podia enxergar? Antes que viesse à cabeça alguma possível resposta, ela rapidamente começou a seguir aquela mulher.
Ao chegarem ao topo da pequena pedra, as duas pararam. A senhora então disse:
_ Diga-me, o que você vê?
A menina então olhou o mar à sua frente. Tomada por aquela experiência, começou a descrever o que via. Disse sobre a cor da água e o quanto parecia uma punhado de gotas escorridas do céu. E que o movimento constante das ondas dava a ela energia pra se mexer também e fazer algo de bom, como se não fosse possível ficar parado diante daquela imagem tão mágica... Falou sobre cada detalhe e o quanto estar ali, com o vento no rosto e o mar à frente, a fazia sentir mais viva.
Após ouvir e absorver tudo, a senhora disse,com os olhos marejados:
_ Sempre que vinha aqui, água era só o que eu podia ver... Sabia dentro de mim que deveria haver mais. Algo que pudesse me trazer ares de juventude, de felicidade. Eu precisava de novos olhos; obrigada por me emprestar os seus.
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