terça-feira, 17 de agosto de 2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Conversas Secundinas

   - Ha!Ha!Ha! Muito boa essa sua história...

  - Você não tá acreditando, mas é tudo verdade! Eu tenho meus informantes. E é por causa dessa maçã que você foi castigada. Vai viver várias coisas que nem te conto... E tudo por causa de uma maçãzinha! Se ainda fosse uma barra de ouro!

   - Ai, ai! Melhor ouvir isso do que ser surda! Então tá. Fale mais sobre esse castigo aí.

   - Bom, eu não sei muito bem como é, mas sei que envolve dor! E muita! Sei também que tem sangue! Isso sem contar que tudo lá fora foi feito pra gente como eu: vou poder ganhar mais dinheiro que você, vou ser mais forte, mais inteligente e, além disso tudo, vou poder andar sem camisa e ninguém vai se incomodar com meus pêlos.

   - Hum...

   - Não queria te enganar não, mas eu vou ser o rei do mundo! Vou poder fazer tudo o que eu quiser e minha vida vai ser fácil. Já você... Bom, fique sabendo, irmãzinha, que eu vou estar sempre pensando em você, embora saiba da vida triste que você vai ter. É triste não estar no controle de tudo.

   - É, você tem razão...

   - É, eu sei. Fiquei curioso com essa história de ter sangue no seu castigo! Já pensei em várias possib...Opa! O que é aquilo?!

   - “Aquilo” significa que chegou a hora de sair daqui! “Aquilo” é a saída!

   - Sério?! Como você sabe? Ah! Não importa... Mundo querido, aí vou eu!

   - Tchau, maninho! Te vejo lá fora!

   - Psiu! Agora que estamos a sós, me fale uma coisa. Por que você concordou com ele?Por que não disse toda a verdade: que é você quem vai ter a chave pra decifrar o mistério da vida?

   - Pra quê? Ele não iria entender mesmo. Quem sabe lá fora ele não aprende...

sábado, 14 de agosto de 2010

Seu Icídio

Ele dançava ao som indecente dos violões. Se jogava na vida. E, em seus passos, a música girava em torno do que ele acreditava ser real. Imaginava-se num tango doce e quente. E ao levantar da música, sentia seu coração acelerando e batendo e gritando e dançando... como seu corpo.

Foi sua última dança. E aposentou os sapatos.
Sem aquele rosto na plateia, não haveria mais razões para pisar no palco da vida.

Lustrou-os, antes de guardá-los no ármário. Dedicou-se a observá-los por uns minutos.
Talvez não tivesse dado valor a eles... não o quanto mereciam.
Curioso como se repara mais nas coisas quando elas não estarão mais conosco na vida... - pensou.

E rezou. Sentia-se chamado a fazer isso, mesmo sem entender bem o porquê.
Pegou seus sapatos; olhou-se no reflexo do couro lustrado.
Couro curtido, marcado pelos passos.




Abriu o armário, guardou-os. Desligou a música. Apagou a luz.
Fim do espetáculo.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A mim

Andei fugindo de mim...
Tentei me perder, esquecer de me buscar na escola;
Não me levei ao parque nem li histórias pra eu dormir;
Me fantasiei pra não me reconhecer.

Não desisti de mim, só queria uma folga de me ver, todo dia,
com essa mesma cara
e as mesmas angústias.

Mas não me julgue, não somos tão diferentes assim.
A verdade é que faço isso
na ânsia de me encontrar.

Esperânsia

Tanto tempo pensando no amanhã.

Envelheci sem ver as horas passarem;
Trabalhei sem buscar felicidade no que fazia;
Li sem absorver;
Amei sem me entregar;

Sobrevivi.

Hoje, esses cabelos brancos me indicam que deveria ter vivido mais.
Que pensar no momento em que se está é a chave para não desperdiçar
a vida.

Tanto tempo pensando no amanhã...
Agora já não tenho mais certeza se ele realmente virá.
Mas aprendi, mesmo que tarde.
Tarde? Isso não existe.
Viverei meu momento presente
esperando que o próximo minuto seja bom
e nada mais.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ensaio secreto sobre Deus

Sentir a brisa no rosto, estando em frente ao mar, assistindo a um pôr-do-sol. Ver o sorriso descompromissado de um bebê. Olhar a lua em uma noite boa. A mim, não interessa a nomenclatura; não há dúvidas sobre essas sensações. Uns dizem que não há como descrever, outros passam a vida a teorizar. TEOrizar; irônico, não?
Julgo que há, mesmo, uma necessidade humana de reconhecer-se como fruto de uma força maior; de ter algo ou alguém em quem possa colocar a responsabilidade por acontecimentos que lhe fogem ao controle. Mas há, na humanidade, um desespero por sentir-se com razão. Sempre. E quem diz que 'acredita em si mesmo' quando lhe perguntam sobre Deus não se dá conta de que nós e ele somos indivisíveis, apesar de opostos. Divididos, apesar de 'imagem e semelhança'. Dicotômicos.
A experiência de ser criatura pressupõe entrega; e a experiência de entregar-se pressupõe coragem. A grande maioria das pessoas que conhecemos não passa de uma imagem superficial de que fazemos dela. Aquelas que, finalmente, se deixam revelar, passam a fazer parte de nós e nós delas. Começam a fazer diferença. Se tornam um pouquinho de Deus em nossa vida e transformam nossa caminhada em um passeio na beira da praia com boa companhia.
Reconhecendo todos esses fatos, ainda há a perturbação pela verdade. Afirmar exatamente o que acontece além do que se pode enxergar passa a ser, então, compromisso de todo aquele que crê. Bom, não há aqui a pretenção por levantar uma verdade própria, mas ouso dizer que estão todos errados. Inclusive eu. Se pudéssemos compreender além do que nos é exposto, seríamos suficientemente inteligentes para questionar essa possibilidade. Somos ignorantes o suficiente para não darmos conta de nossos próprios atos e pensamentos e culparmos nossa 'humanidade' por isso. Porque sermos humanos nos dá espaço para errarmos. Mas quando esse erro passa do limite criado pela sociedade, dizemos que foi desumano. Não nos entendemos... E queremos entender Deus?
É preciso abrir mão dessa necessidade humana de estar certo e perceber que certas coisas não estão aí para serem compreendidas, mas sentidas, experienciadas. E, apesar de toda essa nossa (des)humanidade, devemos buscar santidade em nossas ações; divindade em nossa humilde ignorância do dia-a-dia. E , mesmo assim, confiar nos planos dEle pra nossas vidas porque, convenhamos, nossas vontades são individuais e individualistas. Se pudéssemos realmente controlar tudo, alguém, com certeza, sairia perdendo.

segunda-feira, 12 de julho de 2010



Enquanto esperamos na janela, os carros passam. É comum do ser humano esperar um movimento qualquer. Mesmo quando estamos dentro dos carros, temos a impressão de que é a rua que corre, e não nós.


E assim é mais fácil mesmo. Até que o mundo para de girar e você tem que sair correndo por sua conta. Ou já viu peão rodar sozinho, sem ninguém jogar? E quando chega esse momento, não adianta culpar o cosmos e se perguntar porque Marte e Mercúrio resolveram criar uma linha paralela justo neste mês.


O segredo é viver o que tem pra hoje. Se é alegria, aproveite! Se é tristeza, fazer o quê. Não adianta correr com a vida. Se tem que hibernar hoje, ok. Mas nada de ficar o inverno inteiro.

Se você reparar, os dias de inverno, às vezes, também amanhecem com sol.