terça-feira, 3 de julho de 2012

Juventoando

Que seja fácil - dizia ela,
E que seja bom.
Como posso cantar meu sonho?
E em qual tom?

Em  tuas cordas eu pensei
Melodiar,
Mas pr'essa música, morena,
Não há um par.

Descobri que, no entanto,
Não há solo nesse canto.
Sempre haverá alguém
Pra acompanhar.

Mas que nesse som eu possa
Ser quem dita nessa bossa
A cadência e ter prazer
Em maestrar.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Faz de conta

Era uma vez uma linda princesa que vivia num castelo no alto da colina mais bonita de todo o reino.

 Um dia, quando ela era bem pequena, uma bruxa má lançou um feitiço que fez com que seu pai sumisse para sempre. Havia rumores de que ele havia sido transformado em uma pedra que ficava perto de um lago atrás do castelo, já que sua mãe costumava ir até lá diversas vezes após o feitiço.

Ela sonhava em ter a sorte das outras princesas mais velhas que conhecia. Encontrar seu príncipe, ter uma linda família, ser um bom exemplo para o povo...

Foi então que, um belo dia, algo que ela não entendia aconteceu com o reino. Parece que ter uma rainha não era assim tão legal para o povo. Então ela e sua mãe tiveram que sair do castelo e se abrigar numa casinha pequena que estava vazia, perto do mercado de frutas.

Aos 12 anos, ela teve que começar a ajudar sua mãe a colher maçãs para que pudessem vendê-las. Ela pensou que talvez isso tivesse sido uma magia feita por alguém para tirar o trono dela e, quem sabe um dia, ela descobriria como revertê-la.

Aos 15 anos, a linda não-mais-princesa estava colhendo frutas, como de costume, quando conheceu um lindo príncipe de uma cidade próxima que passava por ali. Eles conversaram, riram e, antes que pudesse perceber, ela já estava apaixonada. Ele não se importava com o fato de ela não ser mais da dita 'realeza', seu sorriso era só o que importava... aaaaaah...

Então, apaixonada, ela prometeu esperar enquanto ele voltava ao reino para conversar com sua família e logo voltaria para que eles fossem felizes para sempre.

Bom, como ela jamais poderia imaginar, ele não voltou.

Devastada, ela correu para os braços da mãe em busca de consolo e de uma explicação, mas ela já não era mais criança, não havia rumor que escondesse a dor, como a morte de seu pai. Não havia bruxa em quem pôr a culpa.

Os anos foram passando, ela conheceu alguns rapazes, entre eles um caçador bem mais velho que ela, um carpinteiro uns meses mais novo, mas nada que desse certo.

Até que conheceu um homem no mercado e eles se deram bem e decidiram juntar as escovas de dente.

E não se engane. Não foram felizes para sempre. Mas alguns dias têm sido de muita alegria, sim.

E as pessoas começaram a ficar doentes, e o dinheiro nem sempre dava, e as decepções sempre existiram.
Não havia feitiço que pudesse impedi-las.

Ela então viu que nem tudo pode ser como se espera e que a felicidade se encontra nos momentos em que você consegue lidar com o que a vida lhe traz. Que o 'pra sempre' era só uma perspectiva aumentada do 'hoje'.

E ela chegou à conclusão de que as pessoas sempre ensinam como a gente deve viver e como se deve sofrer ou amar.

E que, no fim das contas, a gente vive como pode, sofre quando cabe e mesmo assim consegue ser feliz.

E não há meio ou fim da história pronta num livro. A gente ganha uma pena e a vida nem nos diz um "Ei, menina, cuidado com as palavras! Não ponha muita tinta em certas histórias ou terá um grande borrão manchando aquela página!"

Mas a gente vai escrevendo como dá, do jeito que é possível.

E todo o resto a gente faz de conta que acredita.


sexta-feira, 2 de março de 2012

Procura-se


Quem foi?
Quem ousou bater à minha porta?
Quem teve a coragem de me procurar
e não aceitar o convite de entrar?
Qual será o prazer, eu me pergunto,
de fazer uma porta se abrir, 
se não se pode ficar
pra tomar um café que seja?
Então, faça o favor,
quando vier me procurar,
caso eu permita sua entrada,
me traga umas flores.
Quem sabe com um bom perfume
meu coração decida se abrir novamente....



sábado, 20 de agosto de 2011

Ela

"Seus cabelos compridos não eram cuidados para que lhe secassem as lágrimas; mas para que o vento pudesse se sentir envolvido ao beijá-la, e houvesse algo de dança em seu caminhar. A alegria é autossuficiente. Para banhar-lhe o rosto já existia a chuva. E só."

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Effatá

Bom seria se, todos os dias, a gente pudesse acordar e perceber que se tem muitos amigos em volta.
Amigos que te lembrassem, com carinho, de que alguém tem planos pra sua vida, todos levando até a felicidade; pessoas que querem navegar conosco, não importa a tempestade. Afinal, é o calor do fogo que faz o vaso ser forte e resistente.

Bom seria se todo carinho fosse assim, tão à flor da pele. Se todas as tardes fossem de música e houvesse sempre um coro empenhado em ser mais e mais forte. Destinado a ser ouvido!

Mas chega o dia em que é preciso deixar novas pessoas assumirem esse coro. O dia de aprender a cantar em outra margem...

E então eu digo, bom mesmo é ter a certeza de que esses amigos possuem o mapa do seu país.

Obrigada a todos pelo carinho, pelas homenagens, pelos elogios, pela amizade.
Foram dez anos de felicidade!
Jamais me esquecerei.
Cuidem bem desse jardim para que continue dando excelentes frutos.
Cuidem da continuação.
Contínua-ação.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Apontando os ponteiros

   Se, para Caetano, é o senhor do destino, para mim o tempo não passa de um mero determinador de datas exatas para cada movimento meu no mundo. Talvez pareça que me refiro a ele com um quê de insignificância; e talvez eu o faça, mas com o simples intuito de brincar com o poder que não cabe a mim, nem ao inventor do primeiro esboço do que viria a ser um relógio.
   Acredito que seja o momento de alguém dar à sociedade a má notícia de que ela também não possui poder algum quando se fala dele. Quem é que pode dizer a uma pessoa o momento certo de sair de casa, viajar, casar, ter filhos ou qualquer coisa do gênero? Se o ser vivo nasce, cresce, se reproduz e morre, e não podemos determinar o momento em que acontece o alfa e o ômega, deixe que eu decida quando realizar meus betas e gamas.
    Seja Cronos ou Deus ou a Mãe-Natureza, o que chamo aqui de 'datas exatas' será sempre condicionado a uma vontade que não nossa, é verdade. Mas me desculpe, Caetano, quem comanda meu destino, nesse desenrolar de segundos, sou eu!

sábado, 5 de março de 2011

Portifolia

Há uns dias que eu ouço.
O tambor do meu corpo
começa a bater.

As minhas alegrias,
como alegorias,
ao entardecer

Aprendem a dança
se jogam na ânsia
de se divertir.

É que quando toca o pandeiro
todo brasileiro
começa a sorrir.