
Imagine uma criança observando uma roda gigante. Os olhos dela fitam uma cadeirinha em especial e a seguem subindo e descendo. As luzes e cores prendem sua atenção. Mesmo sendo muitas vezes maior do que ela, o brinquedo a encanta e faz nascer uma vontade hipnotizante de experimentá-lo. O medo não é um obstáculo, mas algo que torna a experiência de andar no brinquedo ainda mais excitante. Após algumas voltas intermináveis, a roda finalmente para. A criança se levanta e corre até a entrada. Antes de entregar o bilhete, ela espera ansiosamente pela parada daquela cadeira em especial. Senta-se como quem recebe o devido lugar em um trono. Aproveita cada giro, cada minuto de frio na barriga. Observa, encantada, a rua bem lá do alto e sente um prazer enorme com isso. Ao fim do tempo determinado pelo parque (que sempre será infinitamente curto para aquela criança), ela desce da cadeira e olha para o brinquedo grande, imponente. Sai dali com a alegria de quem experimentou um momento intenso na sua grandeza, inesquecível na sua simplicidade. Coisas de que um adulto não mais entende.